Ferramentas computacionais poderosas foram desenvolvidas para construir a árvore genealógica dos primatas, traçando assim a nossa evolução. Por que não usar essas mesmas ferramentas para a análise genealógica da linguagem? Foi exatamente isso o que foi feito em um estudo publicado na revista Nature em abril desse ano.

O linguista Noan Chomsky postulava que o cérebro processa a linguagem como uma malha ferroviária, como se houvessem switches que escolhessem determinadas estruturas no cérebro ao processar a linguagem. Se esse fosse o caso, era de se esperar que esses switches evoluissem de acordo com certas regras para todas as linguas.

Os cientistas nesse estudo, usando as ferramentas computacionais disponíveis, analisaram a estrutura de 7000 línguas, um terço das línguas humanas, e não encontraram a evolução desses switches. Ao que tudo indica, as diferenças culturais são os fatores que mais influenciam a evolução das línguas. “Eu joguei a bola” pode ser mais útil para algumas culturas enquanto outras preferem “Eu a bola joguei”. O que as línguas tem em comum então não são estruturas que vão evoluindo ao longo dos milênios, mas processos cognitivos mais profundos que ainda não entendemos.

Enquanto os genes foram desvendados, a linguagem permanece um mistério.