Stanley Milgram

 

Em 1961 Milgram conduziu um experimento sobre obediência que chocou o mundo, tanto pela sua metodologia como pelas suas descobertas. Até onde você iria obedecendo a uma ordem, qual é o seu limite?

“Com frequência, não é tanto o tipo de pessoa que um homem é quanto o tipo de situação em que ele se encontra que determina como ele irá agir.” (Stanley Milgram, 1974)

Milgram queria entender como cidadãos bem adaptados e ajustados na Alemanha participaram ativamente das chacinas promovidas por Hitler. Ele montou um experimento com pessoas que moravam no bairro do departamento de psicologia da Yale University. Esses participantes foram instruídos a darem um choque elétrico cada vez que um aluno desse a resposta errada a uma questão. Os choques começavam em 15 volts e aumentavam cada vez que o aluno errava até chegar em 450 volts, o que é muito além do que é necessário para se matar um ser humano.

O aparelho

O aparelho usado para disparar os choques indicava claramente quantos volts seriam aplicados e o perigo da voltagem. Conforme a voltagem aumentava, o aluno, em dor, começa a pedir, implorar e finalmente exigir, que os testes parassem, dizendo coisas como “Me tirem daqui. Eu me recuso a continuar.”

Quando os participantes questionavam o pesquisador, que estava ao lado, o pesquisador dizia, sem alterar a voz: “O experimento exige que os testes continuem.” Sob instrução de uma pessoa em autoridade, 62.5% dos participantes prosseguiram e deram choques letais.

Os alunos eram, naturalmente, atores, mas o experimento foi tão convincente que alguns dos participantes reportaram problemas psicológicos deixados pela experiência. Mesmo sabendo que ninguém tinha sido efetivamente ferido, eles descobriram que seriam capazes de matar se alguém em posição de autoridade os instruísse a fazê-lo.

 “Se nós precisarmos de ajuda, as pessoas ao nosso redor irão ficar onde estão e nos deixarão ser destruídos ou elas virão ao nosso encontro? As outras criaturas estão lá para nos ajudarem a mantermos a nossa vida e os nossos valores ou somos nós apenas um monte de poeira boiando dentro de um vácuo?” (Stanley Milgram, 1984).

A nossa tendência a obedecer pessoas em posições de autoridade levanta uma questão para todos nós. Como líder, até onde você deveria ir para atingir o sucesso dos seus projetos? E para os times, até onde você deveria ir em obediência?

Estamos constantemente sob pressão para atingir nossas metas e obedecer, de alguma maneira, parece transferir parte da culpa para aquele que deu a ordem. O fato é, porém, que cada um é responsável por aquilo que faz. Entretanto, nós tendemos a obedecer quando nos identificamos com o líder e seus objetivos, como disse Saint-Exupéry, “você é responsável pelas pessoas que cativa.”

BBC 2009

Esse assunto continua relevante para os gerentes, gerentes de projetos e lideres em geral. Para quem estiver pensando que os tempos mudaram, há uma triste notícia, ainda somos os mesmos. Em outros experimentos subsequentes, inclusive um televisionado pela BBC em 2009, as pessoas ainda continuam dispostas a infringir dor em outro ser humano se assim orientadas por uma pessoa vestindo em jaleco branco.

Normalmente, damos ênfase aos 62.5% das pessoas que continuam com o teste. Em 1986 o cantor britânico, Peter Grabriel, lançou uma música chamada “Nós fazemos aquilo que nos mandam fazer – os 37 de Milgram.” A música destaca a outra porcentagem, os 37.5% que foram desobedientes.

Os 37 de Milgram

Veja no YouTube a gravação da música de Peter Gabriel feita ao vivo em Werchter em 1983 que contém fotos do experimento realizado por Milgram.

 

 

 

Milgram escreveu um livro descrevendo as 18 variações do experimento que ele rodou ao longo dos anos.

O livro pode ser importado pela Cultura (clique abaixo)

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Milgram também é famoso por um outro experimento, que mostra como as pessoas são separadas por apenas 6 outras pessoas, mas isso é assunto para um próximo blog.