O apagão do insight

 

Parece até uma contradição que possamos falar do apagão do insight, já que in sight pode ser traduzido como “à vista, visível”. Literalmente, não estamos conseguindo enxergar o que está na nossa frente. As duas palavras do inglês se combinaram para formar uma terceira, insight, que significa entendimento, percepção profunda, discernimento.

O “déficit de insight” foi exposto pelo CIO Executive Board em um relatório desse ano intitulado Overcoming the insight deficit – big judgement in the era of big data. 

Por que a habilidade do insight está em demanda? A quantidade de dados existente alcança números literalmente astronômicos, apenas com o conteúdo digital ao nosso dispor daria para fazer uma fileira de livros que iria 10 vezes até plutão (487 bilhões de gigabytes). Os números continuam crescendo, segundo uma pesquisa feita pela IDC e patrocinada pela EMC, esse número deverá dobrar nos próximos 18 meses.

Enquanto isso, a pesquisa do CIO Executive Board indica que apenas 38% das pessoas que trabalham com conhecimento tem os processos e as habilidades para usar a informação eficientemente na tomada de decisão.

Para os gerentes e gerentes de projetos, o aumento de dados tem vários impactos. Primeiro, porque temos que entender e filtrar a informação para apresentá-la às partes interessadas não só para que eles se mantenham informados, mas também para que possam tomar decisões. Por exemplo, enviamos informações a clientes, ao PMO e à gerência de portfólio que podem ser usadas para decidir na continuação ou não do projeto, alocação ou não de recursos e assim por diante.

Por outro lado, recebemos informações baseadas no julgamento feito por outras pessoas. Por exemplo, consultamos especialistas em riscos ou especialistas em áreas de atuações específicas para realizar a estimativa de duração ou de recursos do projeto. Portanto, precisamos entender como esses experts chegam a decisões.

Em terceiro lugar, nós também tomamos decisões diariamente, minuto a minuto. São decisões grandes, de custo, de escopo, de prazo; são também decisões menores, mas igualmente de grande impacto, especialmente sobre comunicação: o que escrever, que palavra usar, quando falar.

Já houve um tempo em que falávamos da era da informação, era “bem visto” e tinha o poder aquele que tinha acesso à informação. Agora, podemos falar na era da decisão, onde todos tem a informação, tem o poder aquele que tem o entendimento, a percepção profunda, o discernimento (ou insight) de como usá-la na tomada de decisão.