Não deveria ser uma surpresa para nós quando o autor  Mark Changizi diz que preferimos escutar com os olhos, pois sabemos que os seres humanos desenvolveram a linguagem verbal “recentemente” enquanto os nossos ancestrais primatas já enxergavam muito antes de termos “vindo ao mundo”. De fato, os olhos existem há aproximadamente meio bilhão de anos, o ser humano há 200.000 e o homem e a mulher “modernos” a 50.000. Uma outra prova concreta da importância da imagem é o fato de que 50% do cérebro, de uma maneira ou de outra, esteja envolvida com a visão. Isso é muito neurônio!

Porém, por que enxergamos colorido? No seu livro The Vision Revolution, Mark Changizi diz que enxergamos colorido para detectar as emoções e estados de espíritos das pessoas. Isso pode até parecer ficção científica, mas as suas pesquisas e explicações são bastante convincentes. Por exemplo, você talvez presumiria que o olho dá igual valor a todas as cores, mas na verdade a anatomia do olho favorece o reconhecimento dos diferentes espectros da cor da pele. E realmente, detectamos tantas variações de cor de pele, que não existe uma palavra para a “cor da pele”. Qual nome de cor você daria para a sua pele?

 Os primatas com visão colorida são aqueles que não tem pelo na pele, reforçando o ponto feito pelo autor de que enxergamos colorido para detectar as nuanças na variação da cor da pele. Para o primata que tem pelo na pele, não haveria motivo para enxergar colorido, pois como não conseguiria ver a pele do outro, não consegue detectar seus estados emocionais.

Dois fatores são determinantes para a cor da pele: a quantidade de sangue e o nível de oxigenação do sangue. Se há menos sangue, a pele fica amarelada; se tem mais sangue, ele fica mais azulada; se o sangue estiver mais oxigenado, a pele parece vermelha e se tiver menos oxigênio parece esverdeada. Daí vem expressões como “ele está vermelho de raiva”.

Belisaire pedindo esmola por Jacques-Louis David (1748–1825)

Há uma vantagem em observamos a cor da pele: nós podemos mentir com as palavras e até mesmo com a linguagem corporal, porém, dificilmente vamos conseguir ou até mesmo querer (visto que isso poderia colocar nossas vidas em jogo) manipular o nível de oxigenação do sangue.

Alguns estudiosos (Robert Trivers, Stephen Pinker) afirmam que essa transparência toda tem um sentido na evolução humana: é graças a nossa habilidade de ‘ler’ ou ‘enxergar’ o outro (por mais que o outro possa tentar mentir ou disfarçar) que desenvolvemos o altruísmo: eu te ajudo porque sei que você não está tentando me trapacear, vejo que o seu pedido é autêntico.

A habilidade de enxergar as emoções do outro criou para nós um dilema, pois como disse Martin Luther King Jr, “Todo ser humano precisa decidir se ele irá andar na luz do altruísmo criativo ou na escuridão do egoísmo destrutivo.”

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The Vision Revolution: How the Latest Research Overturns Everything We Thought We Knew About Human Vision

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