No postagem anterior, aqui, comentamos que há vários impecílios para a tomada de decisão de maneira racional ou lógica.

“O homem é a medida de todas as coisas”

O tamanho da pegada

Na ausência das tecnologias exatas que temos agora, usava-se o próprio corpo para medição e isso foi feito por muito tempo. Mesmo agora não há nada mais prático do ir à loja de material de construção tendo o seu próprio pé ou dedo como medida. No sistema britânico, até hoje o chamado “pé” (foot) é usado para medir e vale aproximadamente 30 cm. É claro que hoje tudo é mais civilizado e não tiramos o sapato na loja, mas levamos a tal da fita métrica. O dedão (thumb) era usado para medidas menores, as chamadas “polegadas” (inches), cada uma valendo aproximadamente dois centímetros e meio. Levamos Protágoras ao “pé da letra” (desculpem o trocadilho) quando ele disse “o homem é a medida de todas as coisas”.

Seja por isso, seja pelo fato do dedão ter sido usado para testar a temperatura da cerveja durante a sua fabricação, o fato é que medir com o dedão se tornou uma expressão que hoje se refere a um método de estimação feito de acordo com uma regra estimada e prática e não em medição exata”.

A regra do dedão

A regra do dedão (rule of thumb) é a expressão usada hoje por cientistas para ilustrar como tomamos decisões usando estratégias simplificadoras, sem a análise racional detalhada nos métodos prescritivos. Essas regras dos dedões são chamadas de heurísticas. Embora Kahneman tenha dedicado décadas de estudo a heurística e tenha uma obra extensa no assunto, na década de 50 Herbert Simon já advogava o estudo de métodos descritivos, que dissessem como efetivamente tomamos decisões e não como deveríamos tomar, porque a racionalidade é limitada ou restrita.

Aqui vão alguns exemplos de heurísticas:

Heurística da disponibilidade

Estão mais facilmente acessíveis na nossa memória e, portanto, mais facilmente disponíveis para recuperação, eventos mais recentes ou que tiveram maior impacto emocional sobre nós. Advinha do que o seu chefe vai se lembrar na sua revisão de desempenho! Aquilo que mais o marcou sobre você não há como alterar, mas você pode se concentrar em melhorar aquilo que é mais recente.

Quando você pergunta a sua equipe quais são os riscos do seu projeto, eles irão se lembrar dos riscos que eles experienciaram e que são mais recentes ou que mais os marcaram, não necessariamente todos ou os principais.

Heurística da representatividade

Esse é o famoso estereótipo, ocorre quando comparamos algo ou alguém com um estereótipo que temos. Se uma pessoa achar que o melhor gerente de projetos, ou vendedor, é extrovertido, tenderá a avaliar melhor os que forem extrovertidos. Ao extremo, somos levados a todos os tipos de discriminação como o racismo.

Já sei!

Tomada de decisão

Afinal, qual decisão é tomada? Não iríamos conseguir sair de casa se fôssemos usar o método racional para toda e qualquer tomada de decisão. Não há tempo, não há informação suficiente, os critérios não são claros e o cérebro não consegue lidar com tudo isso. Simplesmente geramos várias idéias usando as nossas estratégias simplificadoras e optamos por aquela que é boa o suficiente, é quando pensamos: já sei! Será que isso faz sentido? Na verdade faz, o benefício que poderia ocorrer gastando uma quantidade maior de tempo para achar uma solução melhor é menor do que o tempo gasto. Em outras palavras, a uma certa altura, concluímos: “não vale mais a pena gastar tempo com isso”.